Renato Paiva vê vitória do Botafogo contra o Novorizontino como bom teste, antes de enfrentar Palmeiras na primeira rodada do Brasileirão 2025
byGazeta Botafogo•
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No último compromisso antes da estreia pelo Campeonato Brasileiro Série A 2025, o Botafogo deixou boa impressão ao vencer o Novorizontino por 3 a 1, neste sábado, no Nilton Santos. Apesar de ser um amistoso, a partida rendeu elogios do técnico Renato Paiva, que considerou o duelo como um "bom teste" para enfrentar o Palmeiras, no domingo, dia 30, às 16h, na estreia pelo Brasileirão.
— Foi um adversário que, há dois anos, está quase subindo (para a Série A) pelo bom trabalho que fez. É uma equipe que, com bola, sabe o que faz. Foi um bom teste para o jogo que vem, porque há muitas semelhanças na forma de abordar o jogo. Era um jogo difícil por tudo, por ser a volta, pelo reencontro com a torcida, então era importante ser dessa forma. O objetivo é sempre ganhar. Depois, ter uma exibição melhor. Acima de tudo, os momentos bons são reflexos de algo que estamos trabalhando. Quero potencializar o que já há. Estou satisfeito porque os jogadores olharem para o jogo como algo que se tem que ganhar. Estamos a trabalhar como equipe e demos mais um passo neste sentido.
Renato Paiva sobre Palmeiras x Botafogo
Jogar contra o Palmeiras em qualquer lado, até na Antártida, é muito difícil. O momento é o ideal ou não? Só vou saber no domingo. A equipe que vai entrar em campo será a melhor... Vai ser um jogo difícil para os 2.
— Jogar contra o Palmeiras em qualquer lado, até na Antártida, é muito difícil. O momento é o ideal? Só vou saber no domingo. A equipe que vai entrar em campo será a melhor para fazer esse jogo. Essa melhor equipe tem muita gente que já ganhou campeonato, eliminatórias. É um jogo de campeões e difícil. Será difícil para o Palmeiras também. Se é o melhor momento ou não, a verdade é que temos de jogar contra todos. E nós temos 15 treinos. Não vou pedir tempo porque a base da equipe está aí e bem trabalhada, queremos acrescentar algumas coisas. Não mudar muito, ter a capacidade e mentalidade que eles já tem e continuar a crescer para disputar um jogo desses. Depois vamos ver o que vai acontecer. Jogo difícil para os dois — afirmou.
Paiva arrancou risadas durante a coletiva ao dizer que "não quer o time com a sua cara". Posteriormente, ele explicou a declaração, em tom de bom humor.
A cara do Paiva?
Espero que a equipe nunca tenha a cara do Paiva, que é feia (risos). Quero que tenha as ideias do treinador em cima daquilo que eles já tem. Hoje houve coisas dessas. Não foi uma exibição constante, houve alternâncias de qualidade. Melhor e pior.
— Espero que a equipe nunca tenha a cara do Paiva, que é feia (risos). Quero que tenha as ideias do treinador em cima daquilo que eles já tem. Hoje houve coisas dessas. Não foi uma exibição constante, houve alternâncias de qualidade. Melhor e pior. Mas há coisas que queremos acrescentar ao jogo que eles já têm e já vimos, isso nos deixa satisfeitos — declarou.
Quem ganhou elogios do treinador foi o volante Patrick de Paula, autor de dois gols no amistoso diante do Novorizontino. Para o técnico português, o destaque ficou para o seu posicionamento dentro de campo, mais próximo do gol adversário, o que ajudou a subir de rendimento.
— A minha base é sempre olhar para o individual, analisar o indivíduo e perceber dentro das suas características, as melhores e as piores, onde ele pode ajudar o coletivo. Em qual posição pode mostrar mais essas características. Sei que o Patrick jogou muitas vezes mais recuado, mas vejo ali muitas características que, não por coincidência porque no futebol não há isso, só trabalho, e hoje, quando ele saiu, eu disse "está vendo, percebe?". Porque com as características que ele tem, não pode estar muito longe da área e nem do gol. Ele estando em um nível físico ótimo, tem uma capacidade de atacar e defender. Hoje no futebol já não dá mais para atacar e não defender ou ao contrário. É um jogo completo onde todos tem que ir para frente, trás, direita ou esquerda. O Patrick faz isso com facilidade porque já tem a rotina de jogar com dois meias mais atrasados. Do Patrick e de todos, irem à procura da melhor versão entendendo o que é muito bom, o que pode melhorar e não o colocar em zonas onde o que não é tão bom possa ser exposto. Isso que temos de corrigir e, quando as coisas estiverem melhores, colocamos ele lá. Estou satisfeito com o trabalho que ele tem feito nos treinos e com hoje. Aliás, estou contente. Porque satisfeito nunca estou e eles sabem disso. Estou contente com aquilo que ele fez hoje. O caminho do Patrick é esse — completou.
Confira outras respostas de Renato Paiva:
Evolução física: "Não sei se a equipe estava mal. Trabalharam com o Leiria e depois com o Caçapa. Nós não podemos menosprezar o trabalho das pessoas. O Leiria fez seu trabalho de forma muito profissional. Os jogadores igual. Não se ganhou por várias questões, não só física. Nós recebemos essa base física e é em cima dela que vamos trabalhar. Tem jogadores que, quando chegamos, estavam lesionados. O Jeffinho, o Bastos... jogadores que estão a regressar e não estavam neste período de 15 treinos. Mas é bom que já tivemos essa base física"
Cobranças ao elenco de construção, agressividade e compactação: "Em relação à construção, tivemos momentos interessantes e outros em que não percebemos ainda o que é normal. Quando tem que jogar mais curto ou mais longo. As pessoas fazem muita confusão de quando começa a jogar por trás ou com o goleiro e os zagueiros, temos sempre de jogar curto e fazer 15 passes. Não. Temos de jogar em função do posicionamento do adversário. E perceber quando começarmos a mover a bola atrás se tem que jogar em uma primeira linha, segunda linha ou mais largo. A percepção ainda não foi a ideal. Quando eles perceberam, conseguimos sair jogando curto e largo também. Mas não foi durante o jogo todo. Na parte da criação, não é fácil jogar contra uma linha de 5, ainda mais uma que caça muito os jogadores que atuam entre as linhas. O jogo posicional é muito disso de diferentes alturas e jogo entre linhas e está sempre cansado. Mas depois, quando está cansado, há espaço para o outro lado. Essa percepção eles foram tendo durante o jogo, acho que a equipe foi melhorando ao longo do jogo nas correções que tivemos. Na pressão alta e reação à perda, acho que foi a melhor parte do jogo. Enquanto a equipe esteve fisicamente bem. A compactação das linhas, o bloco estar junto, ganhamos muitas bolas que os adversários perderam por passe errado ou mal controle. Inclusive temos gols recuperando a bola mais à frente e não é a primeira vez. É a parte que me deixou mais contente"
Grau de satisfação que já tem: "As cobranças são normais no futebol no Brasil e em todo lado. Quando não ganha tem as cobranças, quando ganha ficam felizes. O importante é que os torcedores percebam que já nesses 15 treinos há um trabalho que se pode ver. Que não funciona com um estalar de dedos, se fosse assim seria fácil. Mas nós ficamos muito felizes de ver já a equipe fazendo coisas que trabalhamos. É para isso que treinamentos. Sou uma pessoa que olha para o treino de maneira fanática, acredito que é isso que faz as equipes melhorarem. De fato tem sido isso. Estou contente por ver os jogadores trabalhando todos os dias. Tem sido muito melhor. É um sinal de crescimento, contra o Cruzeiro nós vimos e tinha menos treinos. É um processo gradual e que terá altos e baixos, não tem como. São muitas competições, adversários de alta qualidade. Nos momentos mais difíceis virá a cobrança e os jogadores precisam estar preparados para isso. São profissionais. Eu também tenho de estar pronto. Se a cobrança for feita de forma exigente, mas educada e cívica, estaremos lá para receber, analisar e escutar. Temos ouvidos para ouvir e olhos para ver o que dizem e melhorar. Não há equipes perfeitas em lugar nenhum. Temos de criar uma casca, um núcleo preparado para isso. Quando esse momento acontecer, que não tenha um impacto. Cair e levantar. O bom disso é que se joga de três em três dias. Nessa casa que é sempre para ganhar... sei o que é cobrança no Brasil, ainda mais no campeão do Brasil e da Libertadores. Temos de estar preparados e não deixar de ter o nosso foco, que é o crescimento da equipe e o racional. Não ir atrás do emocional, emocional é da torcida, é paixão e ainda bem. O motor é o racional e aí vamos fazendo nosso caminho"
Como se prepara: "Há coisas que já gosto e vocês já dizem que veem algumas coisas, isso é muito importante. É sinal de o trabalho começa a fazer efeito. Temos de aproveitar bem esse momento porque a partir do jogo contra o Palmeiras praticamente vamos deixar de treinar. Será só vídeo. O crescimento tem que ser feito jogando e ganhando. É importante agora ganhar, dentro disso vem a confiança, o convencimento dos jogadores no que queremos e a partir daí os resultados vão aparecer pela qualidade que eles têm."